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segunda-feira, 2 de maio de 2011

D.J. Raffa - Do Erudito ao Hip Hop

Ele começou dançando break nas ruas do Distrito Federal. Nas últimas duas décadas, ele militou no movimento hip hop como DJ, b.boy, músico, engenheiro de som, produtor musical, educador. Em 1989, com sua banda, lançou o álbum A ousadia do rap de Brasília. Trajetória surpreendente para quem carrega o sobrenome de um dos maiores nomes da música erudita brasileira. Raffaello Santoro é filho do maestro Cláudio Santoro e teve que vencer o preconceito “às avessas” para conquistar os manos do movimento.

“Não faça por dinheiro, faça com amor e seriedade” – foi a lição herdada do pai. “Até os 16 anos, não sabia que eu vivia com um gênio dentro de casa”, declara o filho do maestro. “Meu pai nunca demonstrou preconceito com música”, diz.

Com a família exilada na Alemanha, Raffa cresceu na Alemanha, em meio ao estúdio de música eletroacústica do pai. “Acho que me despertou ser engenheiro de som por isso. Fui pegando aos poucos todo aquele equipamento pra mim, fui mexendo por conta própria”, lembra o DJ, que recorda seus primeiros passos em Brasília. “Tive um primeiro sampler pequeno da Cássio, era o início do conceito de samplear. Depois ele comprou uma bateria eletrônica pra mim. Fui começando”.

“Acho que o hip hop foi uma coisa de afirmação pessoal, de ideologia de vida, de ideologia para minha essência. Acho que eu puxei isso do meu pai. Porque uso essa cultura para transformação social. Atuo como arte-educador, fazendo projetos para meninos, jovens em situação de risco. Uso o hip hop pela parte ideológica”.

Depois dos 40 anos, DJ Raffa se debruçou na obra do pai e remixou os tapes originais do maestro. Em 2010, saiu o álbum Santoro popular. “Senti agora maturidade suficiente pra fazer alguma coisinha com a obra dele, que é muito complexa”, esclarece. “Tem que ter muita sensibilidade musical pra não fazer besteira”. Além dos remixes das Sinfonias 4 e 7, entre outras peças, Raffa sampleou a voz do maestro. Numa das entrevistas, Santoro-pai esclarece: “Havia um grande número de pessoas jovens interessadas em divulgar a música contemporânea. Nós fazíamos festivais de música contemporânea, naturalmente combatidos pela imprensa, pelos colegas e pelo meio musical, naturalmente atrasadíssimo na época”.

Em A trajetória de um guerreiro, Raffa Santoro traça um panorama (autobiográfico) da cena hip hop na Capital Federal. O livro é considerado fundamental para os amantes do gênero.

“O interessante da cultura hip hop é que eles conseguiram fazer uma coisa regional. O que se faz aqui no Brasil é muito diferente do resto do mundo. Nas periferias, o hip hop conseguiu ganhar espaço e incorporar as culturas locais. Hoje, tem muitas instituições e ONGs trabalhando nesse segmento porque é uma coisa que atrai muitos jovens.”

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