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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ditadura

Sou filha duma pátria amada.
Madrasta.
Debulho mais versos,
os quais cabem nela.
A poesia.
Engatinho.
São versos salvadores.
Guardo-os no fundo da gaveta.
Escrevendo sem direção.
De amor,
falo tão pouco.
Dele,
muito conheço,
dos versos sim,
tenho apreço.
Na jornada dura,
onde os versos soltos,
davam a mais lírica direção,
no massacre da nação.
Vida dura,
passado pesado jamais esquecido.
Alí versei,
em panfletos encardidos.
Nas madrugadas muitos poetas,
faziam murais,
escondidos nos aparelhos.
Era causa de versador.
Hoje,
a vergonha tola de quem sonhou
acreditando em melhores dias.
Foi a paixão
e o amor mais sangrento o qual viví.
Era companheiro de luta,
quem cantava no papel.
Era labuta.
Era dura a luta .
Era Ditadura.
Era anos sessenta.
Senta que te conto
o que é verso escondido.
Assim vaga,
sobrevivo na mesma linha,
escondida,
sendo assim...
absolutamente clara.

Sulla Fagundes.

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